Mês da Mulher

Entrevista organizada pelos alunos da 12a B2/4 à Sra Balbina Mutemba

Para falar de dia 7 de Abril, é necessário reconhecermos os mais valiosos contributos trazidos por pessoas que deixaram tudo e entregaram as suas vidas na luta pela libertação da pátria. E uma das pessoas com reconhecível destaque foi Josina Machel.
Neste âmbito, associado ao contributo da Mulher Moçambicana, em prol do desenvolvimento do país, no dia 05 de Abril do ano em curso, os alunos do Colégio Kitabu, da 12ª Classe, turma B2/4 – (CKB2/4), na companhia do respectivo Director de Turma (Job Machaiche) e do Coordenador Pedagógico do 2º Ciclo (Dauto Issufo), organizaram uma entrevista à Srª Balbina Mutemba (BM), irmã da heroína Josina Mutemba Machel.
A professora Balbina Mutemba leccionou Matemática no Colégio Kitabu quando este foi fundado em 1992, é sócia da KITABU-Sociedade de Ensino, Lda. (instituição que é proprietária do Colégio Kitabu) e, actualmente, é professora na Universidade Eduardo Mondlane.

Dentre várias questões colocadas pelos alunos (CKB2/4) e as respostas dadas pela entrevistada (BM), passamos, de forma sumária, a apresentar as seguintes:

CKB2/4– O que significa 7 de Abril para si?
BM–“O 7 de Abril significa a valorização da mulher moçambicana, na luta pela sua emancipação, deixando de ser apenas dona de casa e tornando-se alguém com as mesmíssimas capacidades que os outros. A mulher, no geral, deve fazer brilhar as suas qualidades, como o seu espírito de guerreira, perseverança, carinho, atenção, entre outras”.
CKB2/4 – Josina Machel sendo mulher e por ter abraçado as causas da luta armada de libertação nacional, como é que o cenário foi digerido no seio familiar?
BM – “Os meus pais tratavam a todos de igual modo, sem qualquer tipo de discriminação em termos de gênero e a família é constituída por pessoas que lutaram, por exemplo, o meu avô já tinha lutado na 2ª Guerra Mundial, por isso o espírito de guerreiro está nas veias. Isso fez com que não nos espantássemos muito pela coragem e decisão que ela tinha tomado”.

CKB2/4 – Qual foi o seu melhor momento com Josina Machel?
BM – “Não tive muitos momentos de convivência com Josina Machel, devido à diferença em termos de idade e ela só vinha a casa quando estivesse de férias. Mas alguns dos momentos que não me esqueço até hoje foram os passeios que faziamos pela ponte”.

CKB2/4 -Acha que o 7 de Abril instituído e dedicado para as mulheres ainda é celebrado no mesmo espírito?
BM – “Tanto o 7 de Abril, como as outras datas importantes, já não são celebradas como deve ser. Porque antigamente, as pessoas sabiam o motivo de celebração da data”. Actualmente, infelizmente, as pessoas tendem a perder a noção do que se está a celebrar.

CKB2/4 – O que a motivou para escolher a carreira que seguiu?
BM – “Não foi por questão de escolha, mas sim necessidade, quer dizer, após ter terminado o 11º ano, por falta de quadros formados, as pessoas eram levadas para a área de ensino, outras para a saúde e demais áreas, e foi assim que me tornei professora”.

CKB2/4 – Quando nos aproximamos do dia 7 de Abril, as mulheres tendem a se movimentar em busca de capulanas. Será que a capulana tem alguma relação com essa data?
BM – “A mulher, nas sociedades africanas, está sempre acompanhada da sua fiel capulana, que não só é uma característica cultural muito rica, mas também como sua “salva-vida”, confome diz o seguinte ditado: uma mulher nunca deve sair de casa sem a sua capulana”.

CKB2/4 – Qual é a mudança que gostaria de ver ou acha que sendo implementanda, traria um impacto positivo para o futuro das pequenas mulheres?
BM – “A mulher devia estudar ainda mais, embora, aos poucos esteja a se ter este ganho. Para tal, devia se repensar na educação da mulher e da sociedade, sobretudo nas zonas mais recônditas, onde a mulher ainda tem sido usada para trabalhos domésticos. Gostaria que as mulheres também seguissem os cursos de Engenharia Mecânica, Arquitectura, entre outros, porque não existem profissões apenas para homens que as mulheres não sejam capazes de fazer”.

CKB2/4 – Como mulher, que conselho dá a nós jovens que começamos a traçar o nosso caminho, recentemente?
BM–“Devem priorizar mais os estudos, porque esse é o melhor caminho que deve ser percorrido para garantir o sucesso na vida. A juventude deve saber fazer o uso das TIC´s para a aquisição de conhecimentos e de boas práticas, daí que os jovens devem aprender a ter referências boas a seguir e, por fim, os alunos, no ensino superior, devem aprender a cultivar o hábito pelo estudo individual, porque neste nível, o aluno já não tem o professor para estar em frente dele a ensinar ou explicar tudo”.

A entrevista teve a duração de 1 hora. A mesma terminou com a declamação de duas poesias alusivas à mulher moçambicana, com a autoria da aluna Érica Bata, auxiliada por Maysa Quisele.

 

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