Alunos debatem futuro da juventude e celebram cultura moçambicana em visita de estudo

Os alunos do Núcleo de Estudantes do Colégio Kitabu (NECK) realizaram, no dia 21 de Maio de 2026, uma visita de estudo ao Centro Cultural Moçambique-China, localizado na Universidade Eduardo Mondlane, acompanhados pelos professores Madania Botão e Andrice Covane. A actividade decorreu a convite do Ministério da Educação e Cultura (MEC), no âmbito das celebrações do Dia Internacional dos Museus, assinalado a 18 de Maio.

Antes do início da actividade oficial, os alunos do Colégio Kitabu participaram num debate académico envolvendo alunos das escolas secundárias Estrela Vermelha, Josina Machel e Francisco Manyanga.

O debate, proposto pelo Projecto Cidadania do Colégio Kitabu, teve como tema central a formação superior dos jovens moçambicanos, discutindo-se as questões: “Formar-se no país e/ou fora? Se for fora, voltar ou permanecer no exterior?”. A iniciativa surgiu enquanto os participantes aguardavam a chegada da delegação do MEC.

Divididos em grupos a favor e contra, os alunos defenderam diferentes perspectivas sobre o futuro da juventude moçambicana. Um dos grupos argumentou que muitos jovens optam por estudar e trabalhar no estrangeiro devido às dificuldades económicas e sociais que o país enfrenta, considerando que o exterior oferece melhores condições de vida e oportunidades profissionais.

Por outro lado, outros participantes defenderam que os estudantes devem regressar ao país após a formação ou, sempre que possível, apostar no ensino superior nacional, contribuindo directamente para o desenvolvimento de Moçambique.

Sobre o debate, o aluno Edwin Balate, da 12.ª B4/C1 e um dos moderadores da actividade, afirmou que a discussão permitiu aos alunos “reflectirem sobre o papel da juventude na construção do país e compreenderem que cada escolha individual pode influenciar o futuro colectivo de Moçambique”.

Com a chegada da delegação do MEC, teve início a actividade principal: uma visita guiada às instalações do Centro Cultural Moçambique-China, seguida de uma exposição sobre a história da música moçambicana.

A exposição foi orientada pelo professor de Música Edson Uthui, director da Escola Nacional de Música. Durante a visita, os alunos observaram quadros e materiais históricos que retratam a vida e obra de músicos moçambicanos que marcaram diferentes períodos da história nacional, antes, durante e depois da independência.

Entre os artistas homenageados destacaram-se Justino Chemane, compositor do primeiro hino nacional de Moçambique independente; Roberto Chitsondzo e a banda Ghorwane; Alberto Machava, Simone Matsinhe, António Marcos, Mingas, Gabriel Chihau e António Mpfumo, entre outros nomes que contribuíram para a valorização da música nacional.

Durante a exposição, os estudantes tiveram ainda a oportunidade de interagir directamente com o músico Roberto Chitsondzo, que partilhou experiências sobre a trajectória da sua banda desde o período pós-independência até à actualidade, relacionando a evolução da música com os diferentes momentos da história do país.

Na ocasião, o músico apelou aos alunos para que procurassem conhecer e valorizar a história de Moçambique, sobretudo a música nacional e os estilos tradicionais moçambicanos.

O aluno Isuufo Tafilo, da 11.ª B1/2, afirmou que a exposição lhe permitiu “descobrir aspectos importantes da música moçambicana que muitos jovens desconhecem”, acrescentando que actividades do género ajudam os alunos a valorizarem a cultura nacional.

O NECK teve igualmente um breve contacto com Josina Machel, filha do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Machel. Durante a breve conversa, Josina Machel incentivou os alunos a investirem seriamente nos estudos e a trabalharem incansavelmente pelo desenvolvimento do país.

A aluna Arianna Bonnou, da 12.ª B1 e presidente do NECK, avaliou positivamente a interacção, considerando que as palavras de Josina Machel representaram “uma grande motivação para os alunos, sobretudo para as raparigas, ao reforçar a importância do empoderamento feminino e da participação activa da juventude no progresso de Moçambique”.

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